quinta-feira, 20 de abril de 2017

2 meses de Rita e...

...já foi duas vezes à praia.
...já bebe água.
...já foi ao hospital.
...já lhe tiraram sangue do braço e do pescoço.
...já brinca no banho.
...já fala muito na sua língua.
...já sorri e ri para tudo e todos.
...já dorme entre 7 a 9 horas seguidas à noite.
...já tenta segurar a cabeça.
...já mudou de leite 3 vezes.
...já veste para 6 meses.
...já bebe muito leite.
...já foi a museus.
...já foi a um centro cultural.
...já ouviu muita música.
...já se derrete toda para o pai.
...já quer ficar sentada.
...já tem diagnóstico de pele atópica.
...já me pôs à prova com frustrações.
...já aguenta muito tempo sozinha nos seus monólogos com o móbil.
...já me mostrou que é tudo o que desejei, mas melhor ainda.
...já me fez chorar de medo.
...já me fez chorar de alegria.
...já me fez acreditar que, desde que nasceu, todos os dias a vida ganha mais sentido.
...já me fez ter saudades de ir ao teatro, a concertos.
...já me fez ter saudades de namorar a dois, sem horas e sem preocupações.
...já me fez ter saudades de sair para jantar, beber uns copos e dançar.
...já me fez ter saudades de estar sozinha.
...já me mostrou que todo esse desconforto me traz o melhor da vida.

Domingo chegamos aos 3 meses.
Até lá, comemoraremos cada dia das nossas vidas.

segunda-feira, 27 de março de 2017

27 março

Do Dia Mundial do Teatro.
Dos medos.
Dos sonhos.
Das saudades.
Da paixão.
Da poesia.
Do amor.
De um projeto de vida, turbulento, que se vai construindo e reconstruindo, tentando encontrar o meu caminho todos os dias.


Fotografia de Carlos Gomes, "Cahahahahabaret" 2012



Mensagem do Dia Mundial do Teatro aqui e aqui.

quinta-feira, 23 de março de 2017

O pai no parto

Hoje, logo pela manhã, cruzei-me com esta publicação do P3.
Desde miúda que brincava aos partos, sonhava ser obstetra, era vidrada em coisas de bebé.
Depois das várias voltas que a vida levou, já grávida, surpreendi-me ao pensar e verbalizar que desejava muito que a bebé nascesse de cesariana. A episiotomia fazia-me uma impressão dos diabos. Provocava-me contrações e arrepios. Não queria nem pensar nisso. Nisso e na hipótese de não ir a tempo de levar anestesia.
Andei a culpar-me por desejar a cesariana, mas verbalizava-o porque sabia que muitas outras mães pensavam no mesmo.

Às 32 semanas, a Rita não tinha dado a volta. Estava sentadinha, a curtir o aconchego da barriga.
Às 38 semanas tudo se mantinha. E às 39. E às 40.
Por isso, precisamente há 2 meses, pela manhãzinha, estava com 40 semanas + 1 dia, e entrava na maternidade para a Rita nascer. Com dia e hora marcada.

Quando soube que ela não tinha virado, e depois de ler tudo e mais alguma coisa, fiquei triste. Para o nosso bem já só desejava o parto normal. Imaginava as situações mais insólitas para as águas rebentarem e andava sempre à procura de descobrir o que seria uma contração. Afinal, se eu nunca tinha tido, como saberia o que era?
Mas, à medida que o tempo ia passando, sabia que a cesariana era inevitável. A previsão era de que ela fosse um bebé muito grande. E eu pequenita. Sem grande espaço nas ancas. E ela sentada.

Mentalizei-me e problema resolvido. O pai podia assistir à cesariana, e o que eu mais desejava era que o nascimento fosse um momento nosso. Estava tudo certo.
Às 39 semanas fui à urgência, já com alguns sinais de parto. Passou-me pela cabeça garantir com a obstetra que o pai iria assistir à cesariana, como estava previsto na lei.
Ela respondeu de imediato, com um sorriso: "-Não."

Saí de lá doida. Chateada com tudo. De lágrimas nos olhos e a telefonar ao meu homem, a dizer que ia rever a legislação, que não podia ser assim, "não" e acabou.
Do outro lado só me lembro de ouvir: "Calma. Não vale a pena estares assim. São minutos e eu vou lá estar, do outro lado da porta."

Assim foi. E tudo correu tão bem quanto poderia esperar. A equipa que estava no bloco era fantástica, e as auxiliares fizeram muito bem a ponte entre mim e o pai.
Passada menos de uma semana depois do parto, dizia que se fosse sempre assim já estava pronta para outra!
Mas, havendo uma outra, o meu primeiro pensamento foi garantir que, caso acontecesse, o pai iria estar presente. Custasse o que custasse. Fosse normal ou cesariana.

Ao ler isto, espero que a legislação não ande para trás. E que em pouco tempo, todos os hospitais públicos tenham condições para que o pai possa acompanhar a mãe.

Durante todo o processo, o pai é sempre posto à margem pelo sistema de saúde. É preciso mudar isto.

quarta-feira, 22 de março de 2017

2001

Não sabemos se o que se passou em Londres foi um ataque terrorista ou não.
Não sei por que não sabemos.
O que aconteceu não tem terror suficiente?

Estava numa consulta e só no carro fiquei a saber.
Jornalistas e outros falavam em direto.

Por momentos pensei no pânico e na dedicação dessas pessoas, ao estarem ali, no local, empenhadas em noticiar tudo. Com boas e más notícias. Mesmo sabendo que, à partida, estão em segurança, porque o atentado já foi e as forças policiais estão lá.

Depois, pensei na adrenalina do jornalismo. Que deve ser isso mesmo.

Mas concluí que, hoje em dia, é só mais um dia.
1 ano depois, já não me lembrava do atentado de Bruxelas.
Daqui a uns tempos, não me vou lembrar de Paris, Cannes ou Berlim. Serão só mais um.

Esta madrugada vi, pela primeira vez, uma parte do filme Voo 93.
Desde setembro de 2001 que a minha vida mudou. A nossa vida.

Hoje, infelizmente, parece só estar a normalizar.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Do dia de ontem

Há precisamente 7 semanas estava assim. Gravidíssima, na véspera da Rita nascer. Apesar de todas as expectativas, nunca poderia imaginar que a Rita ia ter mesmo o melhor pai do mundo. Nem que o meu pai iria ser o melhor avô do mundo. Nem que iria passar tanto tempo a imaginar como seria o meu avô como bisavô, e como dava o mundo para que ele pudesse conhecê-la. Feliz dia do pai àqueles cujas mães sempre foram o melhor pai do mundo. Àqueles que todos os dias aprendem a viver com a saudade. Àqueles que estão longe dos pais ou dos filhos. Àqueles que sempre desejaram ser pais e não o são. Feliz dia e feliz vida aos meus.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

1 mês

Quando nasceu ainda não tinha nome.
Assim que a viram, todas as mulheres que constituíam a equipa do bloco disseram: "Não tem cara de Alice!"
E não tinha. Sobravam as outras duas hipóteses: Madalena ou Rita. Mas uma bichinha tão pequenina, com 46 centímetros chamar-se Madalena... Não dava. Ao fim de algumas horas de vida ficou Rita. Oficialmente Rita.
Foi há um mês, e tem sido tudo tão-tão-tão que já me ouvem dizer que estou pronta para outra!
Mesmo em dias como os últimos, onde não consigo fazer nada porque ela não dorme e quer mimo, mesmo nos dias em que não almoço e não consigo imaginar como será quando começar a trabalhar tal é o caos, mesmo nos dias em que dou por mim à hora de almoço e ainda nem os dentes lavei.
A Rita entrou na nossa vida e parece fazer parte dela desde o início.
A Rita é a única bebé que já nasceu lindona, no mundo. É a filha mais bonita do mundo. É o bebé mais querido que há. É a minha bichinha, a minha bochechas. E toda a parolada e clichés que existam.

E parece que andou 9 meses dentro de mim e saiu a cara do pai. Ingrata esta vida de mãe..



sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Hormonas... Para que vos quero?

Não me perguntem sobre desejos de gravidez, porque não os tenho.
Já o disse: o meu conceito de "desejo" na gravidez é só a minha maior disponibilidade para procurar algo que me apeteça comer/beber. Não são exigências nem crises de ressaca de barritas kinder (coisa que me apetece comer há muito, mas que tenho evitado sequer pensar em comprar).
Agora as hormonas... ui!
E não, não falo de chorar cada vez que vejo um bebé porque é lindo - continuo a achá-los com cara de crepe - nem a chorar porque matei uma melga, coitadinha.
As minhas hormonas aproximam-se daquilo que é uma diva sem snikers... oh, yeah!
E traduzem-se em duas situações:

1. NÃO ME QUEIRAM VER COM FOME
A sério. Na boa, não me levem a mal. Mas grávida, se tenho fome e não tenho onde ir buscar comida, meus amigos, é o fim do mundo na minha hipófise!
Controlo-me. Penso "calma que ninguém tem culpa" ou "PORQUE É QUE NÃO TROUXE TUDO O QUE HAVIA PARA COMER EM CASA?" ou "inspira. expira. não pira.".
Quem está à minha volta não tem a mínima culpa e, para já, consigo ter noção disso e comportar-me. Mas na minha cabeça transformo-me num bicho e só me apetece partir tudo à minha volta até ter comida.
Ora, a última vez que isto me aconteceu foi na autoestrada.
Imaginem-se lá a vir de Braga, a parar na única Área de Serviço que encontramos entre Braga e Porto. A saírem do carro e a encontrarem, apenas e só, pasteis indesejáveis, gordos e com mau aspeto. Pensam: "ok, não faz mal, paramos em Gaia."
Acontece que, se vamos pelo Freixo, NÃO PARAMOS EM GAIA PORQUE A ÁREA DE SERVIÇO É NO TRAJETO DA ARRÁBIDA! Entendem-me?
Então e onde vamos para? Em Estarreja. Claro. Toma lá 3€ por dois salgadinhos a escorrer óleo. E se quiseres um sumo natural toma lá mais 3.95€.
Certo é que, desde aí, a lancheira não me falha.

2. Está tudo bem, mas, de repente, apetece chorar.
Pois é. Sempre pensei que essa coisa das grávidas chorarem era uma coisa triste, que se arrastava durante algum tempo. Uns dias cinzentos e pouco mais.
Mas não é.
Estou sem carro. Ligo ao homem porque preciso de uns papeis e não tenho como os ir levar. Ele diz-me que não consegue vir cá a casa. E DÁ-SE-ME LOGO UM NÓ NA GARGANTA COMO SE ELE ME ESTIVESSE A DIZER QUE ERA BEM FEITO EM ESTAR SEM CARRO E QUE NUNCA MAIS VOLTARIA A CASA PARA ME VIR BUSCAR?
Caraças. Isto é muita estranho.
Entretanto, tipo, instantaneamente passou. Mas pergunto-me se, alimentando esse nó, choraria horas a fio só porque... hã? o que é que se passou realmente?

E pronto, por enquanto é isto.
Estamos quase a entrar nas 24 semanas.
+ 1kg e 0 estrias.
Tomem lá, suas invejosas!