segunda-feira, 28 de agosto de 2017

A Clara e a Cristina

Sexta-feira poderia ser o primeiro dia de creche da Rita.
Não vamos lá.
Só na segunda.
Adiei o máximo que pude.

Ando ansiosa. Já sonhei muito com a creche e já acordei muitas vezes de noite.
A Rita é a minha bebé.
Só tem 7 meses e, a partir de segunda-feira, vamos ter de praticar a nossa separação, aos poucos, até eu voltar ao trabalho.

Conheço o espaço e as pessoas.
Sei que ela vai ser muito bem acolhida e tratada.

Mas... Há sempre um mas.
Ninguém conhece os seus choros e os seus sinais como eu.
E se... há sempre um, muitos se.

A única coisa que me tranquiliza é pensar na minha Clara e na minha Cristina.
Nas duas pessoas que, embora não tenha memórias, fizeram parte desses primeiros anos da minha vida.
Que me devem ter dado muito mimo e me devem ter feito muito feliz, porque adoro revê-las, lembrá-las e ainda hoje me derreto se me chamam besnica.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Parabéns!

A vida trouxe-me pessoas maravilhosas.
Pessoas que entraram de rompante. Pessoas que entraram de mansinho. Pessoas que não sei quando entraram porque sempre fizeram parte das minhas memórias. Pessoas frágeis. Pessoas fortes. Pessoas com um feitio diferente do meu.
A vida trouxe-me a Joana.
A Joana chegou no 8º ano. Falava, falava, falava, falava, falava, falava...
Não sei bem quando nos tornámos, efetivamente, amigas. Mas tenho ideia de que foi um processo muito rápido. Lá está, se olhar para trás, parece que sempre foi assim.
A Jo, Jojo, a Marroquina, a Joaninha, a Janikinhas, a Joana.
A Joana hoje faz 26 anos e, desde que nos conhecemos, este é o 2º ano em que não estamos juntas.
A Joana teve de emigrar.
E a Joana (que não sabe desta parte), desde que a Rita nasceu, tem ganho todo um novo significado na minha vida.

Há pessoas com vidas muito cruéis e madrastas. Muito mesmo. Com problemas tão grandes e graves que, muitas vezes, não sabem como se hão de agarrar à vida.
A Joana teve um vida de merda. Sem grandes pormenores, nunca desejaria a vida que ela teve até há poucos anos a ninguém.
Acontece que ela nunca desistiu. Lutou muito. Ergueu-se vezes sem conta. Quase sempre sozinha, porque a nossa ajuda seria sempre tão minúscula em situações como as que ela passou.
A Joana é uma grande mulher. Tem muita garra, tem um feitio único e um humor sem limites.
Vive para aqueles que ama incondicionalmente e é lindíssima.

Depois de ser mãe, além da história da sua vida ganhar toda uma nova dimensão e intensidade, a sua garra e a forma como chegou onde chegou fazem-me acreditar que se eu conseguir que a Rita tenha um pouco da sua garra e fome de ser feliz, terei uma grande mulher como filha.

Obrigada Joana.
Sabes que te amo como se fosses do meu sangue e que fazes parte da família.

Tem um dia feliz.
E vem logo que possas conhecer a tua sobrinha!

À esquerda a nossa filha, no meio a virtude (deste post) e à direita o meu nariz e eu. Na última noite a Joana connosco em PT.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Teorias Espetaculares Deste Mundo #1

Vamos falar de bebés?
Iupiiii.
Vamos falar de soluços?
Siiiim.
Sabem como parar os soluços nos bebés?
NÃÃÃÃO!!!

Querem aprender?

1. Ponham-lhe uma linha vermelha no meio da testa.

2. Deitem-no/a com a cabeça nos pés da cama.

3. Façam a cama de lavado.

4. Vistam-no/a que deve ter frio.

5. Mudem-lhe a fralda.

Gostaram das primeiras três?
Absolutamente espetaculares, não acham?

Que a miúda tenha frio ou a fralda húmida, até no Centro de Saúde já me disseram.
Agora esta sabedoria popular, o power de uma linha vermelha no meio da testa, ou a loucura de a deitar com a cabeça nos pés na cama... Aaaaah! Maravilha!

Quem sabe, sabe!

Problemas graves com a maternidade #resolução1

Já ando para vos vir contar isto há muito, mas o Tio Belmiro, pelo menos no CoimbraShopping, lembrou-se que as mães com carrinhos de bebés também mijam têm necessidades fisiológicas.

Por isto, na casa-de-banho que se destinava a deficientes temos um novo sinalzinho, uma cadeira de rodas / uma pessoa com carrinho de bebé.

No caso, penso ser uma senhora.
E eu também escrevi para mães...

Mas, queridos paizinhos, sintam-se incluídos!

terça-feira, 23 de maio de 2017

Tu cá tu lá, bardamerda para ti...

...e para todos os que não são adeptos do Sporting.
Ou não.

Migos e migas, senhoras e senhores, vamos ver se nos entendemos.

Tenho 25 anos e não tenho alzheimer. Pelo que, felizmente, lembro-me bem de quem andou comigo na escola. Dos professores. Dos funcionários. Enfim.

Tenho emprego, carro, casa, família, uma conta no banco, contas mensais, e todas essas vicissitudes.

Por isso, expliquem-me por que razão decidem tratar-me por tu.

Fico perdida. Pior, fico f*dida!

Mesmo que não tivesse nada do que escrevi. Por que é que me tratariam por tu?

Conhecem-me?
Mesmo que fosse figura pública. É ridículo as pessoas tratarem figuras públicas por tu, só porque acham que as conhecem da TV.

Acho que, para resolver o problema, só tenho duas hipóteses:

1. começo a tratar a pessoa por tu também (afinal devemos conhecer-nos e eu não me lembro);
2. pergunto-lhe, tratando-a por você, onde nos conhecemos.

Problema maior do que este: ultrapassar aquilo que, para mim, é faltar ao respeito, e fazer mesmo uma dessas opções.

Caraças, pá.

4 meses de Rita + 1

23 de maio é uma data que não passava de ser o dia a seguir ao aniversário do meu homem. Ou o 5º dia de são receber para muitos funcionários públicos.
Mas deixou de o ser.
A Rita faz hoje 4 meses.
E foi precisamente há um ano, talvez até por esta hora, que soube que estava grávida.

Lembro-me bem dessa altura.
Andava muito enjoada. Atraso grande na menstruação.
Mas não liguei muito. Andava cheia de trabalho, com os sonos trocados, o dia e a noite fundiam-se e passava horas fechada em salas de espetáculo. A casa andava às costas e comíamos onde dava. Em escolas, restaurantes assim, restaurantes assado...

O C fez anos, e, finalmente, não havia trabalho nesse dia.
Ele decidiu, e eu adorei, convidar família para almoçar - esquecendo-se que era o seu aniversário, apenas porque tínhamos um cabrito ótimo para cozinhar.

Eu tinha tudo pensado - festa surpresa com os amigos. Éramos uns 30 cá em casa. Amigos de hoje, amigos de sempre, família.

Depois de almoço conseguimos que ele fosse mostrar um dos cafés cá do sítio à família, enquanto preparámos tudo!

Os doces e salgados que a família tinha trazido estavam escondidos no sótão.
As pessoas iam chegando e trazendo mais comida.

Havia de tudo o que eu gostava.
Mas estava com um enjoo de morte.
Mas se eu não comesse... Mais perguntas viriam.

Ele já andava desconfiado.
Então, pensei que era melhor comer tudo o que queria naquele dia, porque no dia seguinte ia fazer um teste de gravidez. E se fosse positivo... viriam aí restrições!

A festa lá se passou, e eu só queria que a comida desaparecesse da minha frente, que já não aguentava mais.
Tinha ido ao médico há uns dias, fazer análises para saber se estava tudo ok.

Segunda de manhã fui à farmácia.
-Se faz favor, queria o teste de gravidez mais barato que tiver.
-Ai menina, há um ótimo, um bocadinho mais caro, mas com resultados exatos.
-Não vale a pena, é só para despistar.

Xixi na pipeta. Não se passaram 10 segundos até aparecerem 2 tracinhos.
"Está estragado!" - pensei eu.

Antes de qualquer festejo, voltei à farmácia.
-Afinal quero o melhor que aí tiver.

Trouxe-o. Esperei os 10 minutos mais longos da minha vida.
E, no ecrã, "4-5 semanas".

Pronto. Estava grávida.

A partir daí, tudo melhorou.
Foram 9 meses fantásticos, felizmente.
E estes 4 trouxeram a melhor mudança possível à minha vida.

Nem todas as histórias são bonitas.
Mas, até agora, temos a sorte de ter uma bonita história.
E de a irmos alimentando todos os dias.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Problemas graves da maternidade #3

Bem, isto se calhar deveria chamar-se "Problemas graves da maternidade em centros comerciais".
Mas pronto.

Vamos lá?

Ir às compras.
Ir às compras para casa com um bebé.
Ir às compras para casa com um bebé no seu carrinho não nos permite levar um carrinho para as compras.
Ir às compras com um bebé no ovo dentro do carrinho de compras deixa-nos espaço para trazer menos coisas do que caberiam num cesto.
Ir às compras com um bebé no ovo dentro do carrinho de compras que depois chora, vem para o colo, enchemos o carrinho e o ovo com coisas e depois temos de levar as compras e o bebé até ao nosso carro, não funciona.
Ir às compras para a casa com um bebé é um bom exercício.

Claro que poderíamos ir em várias vezes. Tipo: "Agora consigo levar o peixe e os legumes. Vou pagar, por no carro e voltar a entrar para comprar os detergentes. Depois venho buscar a mercearia. Volto a pagar. Vou às bebidas. E volto a pagar."
Só que isto não acontece. Além disso, achariam que éramos doidas, maníacas, que teríamos algum TOC, ou que éramos só parvas.

Então, vamos lá: há carrinhos com assentos para bebés.
Mas NÃO HÁ carrinhos desses em todo o lado.
Aliás, na verdade, estou a lembrar de dois sítios onde vi mais do que um carrinho desses disponível.

Fui com a miúda às compras - porque estamos em casa e assim escuso de me enfiar num hipermercado ao fim do dia ou ao fim-de-semana - e foi um filme só.
Levei o marsúpio. A gaja adormeceu no caminho. Plano do marsúpio de lado.
Procurei carros com assentos para bebés. Ups, não havia.
Plano C - vamos ver como corre.
Foi uma ginástica sem fim. E vou ter de lá voltar para ir buscar o que falta.

Senhores dos hipermercados, pensem lá nisso.

Nota - escrevo no feminino porque estou a pensar na mãe que sou e nas várias mães com que me cruzo naquilo a que chamo "hora do bebé". Claro que os pais também podem sofrer o mesmo. Sem fundamentalismos!